terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Marcha dos Pingüins


Sábado a noite na locadora, é sempre aquela indecisão entre dezenas de filmes. Como boa bióloga que sou, o DVD com a capa de Pingüins me chamou muito a atenção. Minha professora de Zoologia já havia comentado sobre ele e não tive dúvidas em levá-lo. Só consegui assisti-lo ontem, e após essa experiência e muitas lágrimas perdidas, não poderia deixar de comentar algo sobre ele.

A Marcha dos Pingüins é um filme-documentário francês que retrata a jornada do Pingüim Imperador na procura de um parceiro. Essa marcha de milhares de pingüins monogâmicos em busca do par perfeito se repete há milênios e permanece inalterada até hoje. Todos os anos esses pingüins percorrem distâncias improváveis, apenas caminhando, para promover a manutenção da espécie.

Primeiramente, no início do mês de março, os milhares de pingüins se deslocam do mar para um ponto específico da Antártida onde o gelo permanece sólido durante todo o período de reprodução, caminhando por meses para juntos encontrarem um parceiro.


Ao chegarem, machos e fêmeas iniciam sua busca incessante pelo par ideal, e ao encontrarem, iniciam seu ritual de reprodução. Uma dança graciosa que sela um pacto de lealdade e companheirismo entre o casal, onde a partir desse momento, inicia-se a espera pela vida.


Após 3 longos meses, ao nascer o “um único ovo”, o casal enfrenta seu primeiro grande desafio, onde a fêmea deve passar o ovo de cima de suas patas para as patas do macho, sem deixar que este encoste no chão congelado por muito tempo, pois a baixíssima temperatura congela o ovo em segundos. Muitos casais jovens e despreparados perdem seus ovos nesse momento.

Ao passar o ovo aos cuidados do macho, a fêmea parte numa longa marcha em direção ao mar, para poder se alimentar e trazer comida ao filhote, quando este nascer. Durante 3 meses, os machos permanecem no mesmo local, em pé, aquecendo os ovos entre as patas, sem se alimentarem, amontoados para enfrentar a fúria do inverno da Antártida em plena temperatura de -40°, aguardando ansiosos o retorno das fêmeas.


Ao retornarem as fêmeas, os filhotes já nasceram e passam a ser cuidados pelas mães, chegando a vez dos pais irem até o mar em busca de alimento, dando-se início a marcha dos famintos, onde muitos dos machos não mais retornam a ver sua família, pois estão fracos demais e não agüentam chegar ao mar.


As mães cuidam dos filhotes por mais alguns meses, até que esses estejam prontos para sobreviverem no mar aberto. Os pais que conseguem retornar reencontram suas famílias, estando pela primeira vez juntos após tanta luta, mãe, pai e filhote. Após alguns dias os pais partem para o mar. Mais tarde, quando os filhotes estão prontos, eles também se arriscam ao mar aberto pela 1ª vez, e lá ficarão por 4 anos. Não se sabe onde eles ficam durante esse tempo, só o que se sabe é que eles retornam ao local onde nasceram, ano após ano.


A luta deles me fez refletir em como nossa vida é pequena e insignificante comparada com essa força e determinação desses pingüins. São inúmeros os desafios que enfrentam pra manter a salvo aquele “um ovo”. Aquele ovo é o “um amor” deles!
Nem todos os pais são assim. Nem todos os pais dão a vida pelo bem estar de seus filhos. Talvez não com essa intensidade, a todo custo.

Podemos comparar também aquele pequeno ovo frágil ao amor, aos relacionamentos. Como você está cuidando do seu ovo? Seu empenho o está aquecendo adequadamente? Será que o que está dentro dele ainda vive, ou é apenas uma casca sem vida?

Esse filme é magnífico e indico a todos! Ele nos faz ver a vida de outra forma. Nos mostra o quanto nossos problemas são insignificantes e pequenos comparados aos desafios naturais. Mas o principal, relembra claramente o quanto o ser humano é desnecessário para a natureza, que sempre seguirá seu curso perfeitamente!


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