terça-feira, 5 de outubro de 2010

Então tá... Vamos falar de Sexo!


 Antigamente, ou pelo menos há algumas décadas atrás, o Sexo estava longe de ser o que é hoje, pelo menos verbalmente, pois como dizia meu saudoso avô: “Ninguém precisa ensinar á um cachorro como fazer sexo”. Todos sabem o que é, e sendo praticante ou não, quando chegar a hora, ninguém vai precisar de um manual de instrução pra botar “isso-naquilo”. Claro que não estou me referindo ao prazer, pois quando se entra nesse aspécto, às vezes um manual de instrução seria muito bem vindo, não é? Estou falando apenas da parte física da coisa, bem simples, encaixou-acabou, páh-pum.

O sexo sempre foi tabu, proibido, vergonhoso, não se podia gostar (pelo menos as mulheres descentes) e quem fazia (geralmente) eram as pessoas casadas e com a intenção de gerar filhos. O sexo não era o esporte que é hoje. Era obrigação de estado civil. Quem era casada devia fazer de qualquer forma, cumprindo suas obrigações matrimoniais, e as solteiras, nem falavam sobre isso. Mas todos sabemos que isso era só blá-blá-blá e que muitas das mulheres de antigamente “davam mais que chuchu na horta”, rs. Óbvio que muitas delas gostavam da coisa, mas não se podia compartilhar isso com ninguém (diferente de hoje em que a gente faz um post em um blog sobre sexo =P).

E onde estão os homens nessa história? Provavelmente comendo suas mulheres ou na zona. Sim, zona no passado era mais “aceita” do que hoje. Se um marido (ou noivo, etc) fosse numa zona antigamente, o que acontecia? Geralmente? (eu disse geralmente pois tudo tem sua exceção) Nada! Muitas vezes suas mulheres até sabiam, mas não se opunham ou diziam uma palavra sobre isso. A vergonha movia o mundo. E hoje? Hoje se um homem comprometido vai a um lugar desses, a chance de ir parar num programa de televisão, em rede nacional, com o tema “Sou casada há 10 anos e ele vive no puteiro” é muito grande.


Mas o amor já existia ligado ao sexo. Muito antes do surgimento da TV com suas novelas e romances (alguns dos quais nossas mães com certeza lembram com certo fervor e saudade), infinitos escritores já falavam sobre o sexo como dádiva divina, sobre a espera de sua amada, o encontro dos corpos, os toques contidos, doce magia, suave volúpia, angústia, espera, tesão e prazer de uma forma extremamente lúdica e apaixonante, quase fora do real, aos céus. Daquela forma de paixão que todo ser deseja vivenciar por um dia, por uma vida. Arrebatadora. Que faz morrer.

Como exemplo bem oportuno, posto trecho de um poema de Álvares de Azevedo (que adoro!) podendo ilustrar bem sobre o que estou falando:

MALVA-MAÇÃ

 “De teus seios tão mimosos
Dá que eu goze o talismã!
Dá que ali repouse a fronte
Cheia de amoroso afã!
E louco nele respire
A tua malva-maçã!

Dá-me essa folha cheirosa
Que treme no seio teu!
Dá-me a folha... hei de beijá-la
Sedenta no lábio meu!
Não vês que o calor do seio
Tua malva emurcheceu?...

A pobrezinha em teu colo
Tantos amores gozou,
Viveu em tanto perfume
Que de enlevos expirou!
Quem pudera no teu seio
Morrer como ela murchou!

Teu cabelo me inebria,
Teu ardente olhar seduz,
A flor de teus olhos negros
De tu'alma raia à luz...
E sinto nos lábios teus
Fogo do céu que transluz![...]


Eis que surge a TV! E os romances ficam diante dos olhos de todos, e como se fosse uma propaganda num comercial, todos querem aquilo também! Todos querem se entregar, e gritar ao mundo que amam e são amados, que possuem companheiros aos seus lados e que querem se entregar completamente a esse sentimento. Então aquele Sexo do passado, básico e quase sem graça, com prazeres ocultos e inexplorados, sombrio e cheio de pudor, dá a mão ao Amor, e juntos criam a Paixão. Algo além dos homens, algo além de tudo, todos buscam sem receios. O sexo em si ficou camuflado, mas deu lugar a um conjunto muito mais importante.


E você, já encontrou o que havia naquela propaganda? §2


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Me ajudem a melhorar sempre! COMENTEM! ;D